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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Escócia, Finalmente, a Independência?

No próximo dia 18 o povo escocês irá protagonizar um referendo que poderá pôr fim à sua união com a Inglaterra, Gales e a Irlanda do Norte e acabar de vez com o domínio da coroa inglesa nas Terras Altas. 

Nessa data irá ser dada uma oportunidade histórica a 4,3 milhões de escoceses: a de decidirem por eles mesmos o futuro da sua pátria, oportunidade que muitos outros povos pediram e pedem, mas raramente lhes é concedida. A resposta que vai ser dada há simples pergunta: "Deve a Escócia ser um país independente." será uma bomba cujo o alcance irá muito para além da Grã-Bretanha, podendo vir a modificar severamente as fronteiras de toda a Europa. 

Será de pensar que é fácil para uma pessoa tomar tal decisão, no entanto, as sondagens mostram que o povo escocês é extremamente indeciso  no que respeita à sua independência: no inicio do ano os partidários do «não» tinham uma espantosa vantagem de cerca de dois terços, no princípio do mês passado eram apenas sessenta por cento aqueles que se recusavam a ser independentes, número que há três semanas baixou, passando a ter apenas uma ligeira diferença em relação ao «sim», que na última sondagem já estava em vantagem.

A razão para o aumento exponencial de independentistas - diz um estudo do YouGov - publicado a 1 de Setembro, é o último debate da BBC sobre este assunto em que o líder do Governo de Edimburgo Alex Salmond venceu, mais do que claramente, o seu oponente Alistair Darling, dirigente trabalhista, ex-ministro das Finanças do Reino Unido e rosto da campanha pró-União 'Better Together Campaign' ( numa tradução para português, a Campanha Melhores Juntos, que reúne todos os partidos e personalidades que defendem a actual configuração do território britânico).

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Reflexão: A Câmara de Lisboa retira brasões da Praça do Império

A autarquia de Lisboa decidiu que os símbolos das antigas províncias ultramarinas estavam "ultrapassados" pelo que decidiu retirá-los da Praça do Império, o mesmo sítio onde à 74 anos, em 1940 foi realizada a Exposição Mundo Português.

Este artigo está dividido em duas partes: a noticia e a reflexão, sendo a última estritamente de opinião pessoal fundamentada.

A Noticia
A Praça do Império, que recebeu em 1940 a exposição do Mundo Português, esta que teve como principal objectivo celebrar a ideia de um país pluri-continental, pluri-racial e pluri-cultural nos tempos do Estado Novo, perde agora parte da sua história pessoal e vê arrancada parte da História comum a todos os povos, agora independentes, que eram Portugal naqueles tempos, com a nova iniciativa da câmara de Lisboa que decidiu retirar os arranjos florais que decoravam um friso em torno da Fonte Monumental. A razão para este acto é dita pela própria câmara: "Os brasões estão ultrapassados".

Num local que está constantemente cheio de turistas, mesmo no pós-25 de Abril, os brasões impressionam e mostravam não só os locais que permaneceram sempre com o 1º e último império da História pós-romana, como mostravam prumo, brio, um cuidado especial que o povo português tinha para preservar a sua História tão gloriosa. Ou pelo menos mostravam, até há alguns anos, quando se começou a perceber o desleixo que começou a haver com a preservação deste monumento - pois coisas muito mais recentes do que uma tradição de 74 anos foram consideradas monumentos - o desleixo chegou mesmo ao ponto de que um turistas mais desatento, ou que pura e simplesmente não soubesse, passaria despercebido aos arranjos (nesta altura, desarranjos) florais.

domingo, 3 de agosto de 2014

Reflexão: Faz sentido um Regime Monárquico no século XXI?

Artigo de Opinião Fundamentada

5 de Outubro de 1910 foi o último dia em que a coroa reinou sobre Portugal. Após oito grandes séculos de História portuguesa, após quatro dinastias, bons e maus réis, após o Sebastianismo - que mostra na perfeição a que ponto de fanatismo e lealdade pode chegar o amor do povo pelos seus governantes, após tudo isto, a História de Portugal continua de uma forma mais democrática (sendo a palavra democrata usada no sentido literal de 'regime eleito pelo povo'). Bem, democrática para a época - apenas pessoas com determinada capacidade monetária, chefes de família, letrados e homens maiores de idade (veja-se que tinha que se preencher todos os requisitos) podiam votar. Mas mesmo, era uma grande melhoria.

De um dia para outro - tendência infeliz de muitos portugueses - a maioria do povo passou de monárquica a republicana. Mas nem todos. Ainda hoje existem muitas pessoas a defender o regime monárquico para Portugal, inclusive partidos, (sendo o maior deles o Partido Popular Monárquico), defendendo determinada pessoa para rei da nossa nação.

Mas faz - actualmente no século XXI - o regime monárquico sentido?
Muitos acham que sim. Outros que não. Recordo uma vez mais ao leitor que o Luso Carpe Diem não tem uma opinião oficial sobre este assunto enquanto organização. Nem a república nem a monarquia fazem parte das nossas defesas enquanto organização.
Esta é apenas a minha opinião pessoal e fundamentada sobre o assunto

sábado, 2 de agosto de 2014

O Tibete e os tibetanos: A História de uma Nação sobre ocupação chinesa

Quem é leitor regular do blog sabe que o Luso Carpe Diem não tem por hábito ter opinião sobre determinados assuntos, em particular políticos. No entanto esta é uma das posições que a organização toma: A independência pacifica do Tibete da China. Pode ler sobre outras defesas do Luso Carpe Diem na página Sobre.

Mas esta mensagem não é para justificar a nossa posição. Não é para dizermos porque é que o Tibete deve ser independente. Não. Esta mensagem tem por objectivo apresentar a realidade tibetana. Dar a conhecer ao leitor a História deste grande país desde do século II d.C  até ao presente.
[1] Citadela no vale Yarlung. Créditos Tibetlhasatours.com

A História do país do 'tecto do Mundo' começa em 127 a.C uma dinastia militar instala-se no vale de Yarlung - uma região específica em que o rio Yarlung encontra-se com o rio Chongye [1] situa-se a 183 km de Lhasa (a capital tibetana).


Por séculos o Tibete forma um vasto império de terras que se juntam a ele seja por conquista ou por influência cultural.

Em 617 da nossa era sobre ao trono tibetano o rei Songtsen Gampo - o 33º rei da nação tibetana que muda consideravelmente a estrutura da sociedade feudo-militar tibetana: Songtsen transformou o Tibete numa nação muito mais pacífica, criou o alfabeto tibetano, escreveu e estabeleceu o sistema judiciário tibetano baseado em princípios morais e num espírito de protecção e conservação da Natureza. Songtsen Gampo falece em 701 d.C. mas os seus sucessores continuaram a transformação cultural do império tibetano [2].
[2] O Império Tibetano

No século VII o Tibete torna-se o centro do lamanísmo (Budismo Tibetano) [3], tornando o reino ainda mais poderoso, um país pacífico em que a sociedade gira, não em torno da guerra, mas em volta dos princípios lamanístas de paz e humanidade.

Sendo desde sempre o Tibete alvo de cobiça por parte do Império Chinês, a China aproveita a época de pacifismo tibetano para invadir o império. (Ainda século VII)

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A direita e esquerda políticas e a sua expressão na democracia portuguesa

Esquerda x DireitaO eleitor médio tem - infelizmente - noções políticas bastante fracas. Somos desde jovens habituados a crescer num lar com certo tipo de preconceitos sociais, económicos, etc., que se nunca forem contraditos, ou sequer, repensados nos podem afectar para o resto da nossa vida política. Somos habituados a pensar que determinado político é bom, que determinado é mau e que devemos votar naquele partido porque é o melhor, assim o é, assim o foi, assim o será.

Este (e repare-se no sublinhado) post não tem como objectivo fazê-lo repensar as suas escolhas políticas pois - mais uma vez infelizmente - poucos são os que conseguem fazê-lo a não ser que tenham sido educados a isso.

Não, este post tem como objectivo dar-lhe (se não tiver, se tiver talvez rever o assunto) algumas noções, muito básicas, da direita e esquerda políticas e das suas actuais ou passadas expressões na democracia portuguesa.

A Direita Política

A Direita Política caracteriza-se pela sua expressão tradicionalista, acredita numa unidade familiar sexista e tradicional em que o marido trabalha e a mulher é normalmente responsável pelos cuidados da casa e pela educação da família que deve ser numerosa. Normalmente os estados de direita tem uma religião ou seita oficial, ou promovida pelo Estado. Economicamente é bastante variável. Pode ser uma economia de sistema capitalista ou pode ser mais fechada, varia em relação à estratégia governamental do partido que está no poder. Ao contrário da Esquerda esta defende uma menor intervenção do Estado.

Extrema-Direita
Nazismo e Fascismo: Orientações tradicionalistas no quotidiano, no entanto a favor do progresso tecnológico. De filosofia política racista e sexista, acreditam que a tecnologia deve ser apenas usada na guerra que é uma 'maneira legítima de domínio de outros povos'. Pela destruição e genocídio causados na Alemanha Nazi e na Itália Fascista partidos a favor deste tipo de regime são hoje em dia proibidos na maioria dos países do Mundo. Na II República eram considerados anti-patrióticos e na III República inconstitucionais. A ler: Era Salazar Fascista?

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Um Romance No Início da III Guerra Mundial O Fim da Europa


[via: leya]
Um Romance No Início da III Guerra Mundial O Fim da Europa - eBook - Silva, Nuno Nogueira
Rute estava a fazer um documentário para a televisão independente, sobre a continuidade da União Europeia com os países a viver numa crise profunda, quando é raptada em Berlim. Johnny vai, vasculhar Berlim à sua procura. E se tudo não passar de um plano, para dominar a Europa. Aproveita-se dos países sem dinheiro obrigando-os a vender a própria pátria. Um romance que conta como viver e amar no início da III guerra mundial. Casota do Lobo 15, de Julho de 2020 Standt Park Steglitz Berlim Os delírios de Rute e as viagens do seu coração enrolados em lençóis cor-de-rosa, eram quebrados pelo impacto do alicate, frio e áspero em contacto com o seu dedo do pé. Um dos homens agarrou numa perna com força, e outro com uma mão segurou o pé, num movimento brusco apanhou a unha do pé esquerdo de Rute, com o alicate empunhado.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A Mente Livre está em Perigo - John Steinbeck

O Amor Perfeito símbolo do livre pensamento
A Mente Livre Está em Perigo

A nossa espécie é a única espécie criativa, e tem apenas um único instrumento criativo, a mente e espírito únicos de cada homem. Nunca nada foi criado por dois homens. Não existem boas colaborações, quer em arte, na música, na poesia, na matemática, na filosofia. De cada vez que o milagre da criação acontece, um grupo de pessoas pode construir com base nela e aumentá-la, mas o grupo em si nunca inventa nada. A preciosidade reside na mente solitária de cada homem.

E agora existem forças que enaltecem o conceito de grupo e que declararam uma guerra de exterminação a essa preciosidade, a mente do homem. Através das mais variadas formas de pressão, repressão, culto, e outros métodos violentos de condicionamento, a mente livre tem sido perseguida, roubada, drogada, exterminada. E este é um rumo de suicídio colectivo que a nossa espécie parece ter tomado.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Somos Irracionais - José Saramago

Somos Irracionais

No meu tempo de escola primária, algumas crédulas e ingénuas pessoas, a quem dávamos o respeitoso nome de mestres, ensinaram-me que o homem, além de ser um animal racional, era, também, por graça particular de Deus, o único que de tal fortuna se podia gabar. Ora, sendo as primeiras lições aquelas que mais perduram no nosso espírito, ainda que, muitas vezes, ao longo da vida, julguemos tê-las esquecido, vivi durante muitos anos aferrado à crença de que, apesar de umas tantas contrariedades e contradições, esta espécie de que faço parte usava a cabeça como aposento e escritório da razão. Certo era que o pintor Goya, surdo e sábio, me protestava que é no sono dela que se engendram os monstros, mas eu argumentava que, não podendo ser negado o surgimento dessas avantesmas, tal só acontecia quando a razão, pobrezinha, cansada da obrigação de ser razonável, se deixava vencer pela fadiga e mergulhava no esquecimento de si própria.

sábado, 11 de janeiro de 2014

A Mulher no Mundo da Política - por Natália Correia

A Mulher no Mundo da Política

Há quem pense, e talvez com certa razão, que a mulher deve entrar no mundo da política para, dentro desse universo, desenvolver as suas ideias e a sua acção. Mas eu penso que quando uma mulher entra nesse mundo, ela própria é obrigada a submeter-se a padrões que ameaçam toda a sua natureza, a natureza da sua cultura. Ela é levada a transigir, torna-se numa cópia daquilo que já é mau nos homens. Eu penso que a acção da mulher deve desenvolver--se fora da política do Poder. Uma acção política de contra-poder. Pela recusa.
O que é a poesia se não uma magia branca, para fazer recuar as forças tenebrosas que querem destruir a vida?!

Natália Correia, in 'Entrevista (1983)'

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Eusébio merece ir para o Panteão Nacional?

No passado dia 5 de Janeiro faleceu aos 71 Eusébio da Silva Ferreira, um dos poucos que poderá ostentar este título num resumo da sua vida e carreira.

Nos seus 23 anos como jogador (1957-1980) passou inúmeros clubes (para além de portugueses também mexicanos, canadianos e estadunidenses) mas foi no SLB (Sport Lisboa e Benfica) onde ganhou mais reputação, tendo entrado para a Selecção Mundial.

Para além de ter ganho a prata no Mundial de 1966 de Inglaterra (que apenas perdeu por cansaço propositado no próprio dia da final) recebeu várias distinções desde da Grã Cruz da Ordem Do Infante a prémios que o reconhecem como melhor jogador da FIFA em 1965.

Foi, sem qualquer dúvida um símbolo que marcou praticamente (de forma directa ou indirecta) as gerações que o 'conheceram' nessas cinco décadas, em Portugal, particularmente, mas de forma geral toda a Lusofonia que 'acolheu' o futebol como o seu 'desporto rei'.

Anunciaram agora que querem colocar o corpo do defunto 'Pantera Negra' (como ficou conhecido no Mundial) no Panteão Nacional.

Este, também chamado de Igreja de Santa Engrácia, fica em Lisboa e constitui (com os mosteiros do Jerónimos e da Batalha) um dos locais onde repousam personalidades influentes da nossa História e Cultura nacional como:  D. Nuno Álvares Pereira, Infante D. Henrique, Pedro Álvares Cabral, Afonso de Albuquerque, Teófilo Braga, Sidónio Pais ou Óscar Carmona.

Estamos a Construir Uma Sociedade de Egoístas por José Saramago

Estamos a Construir uma Sociedade de Egoístas

 Estamos a construir uma sociedade de egoístas. Se a ti te dizem que o que importa é o que compras, e segundo o que compras têm mais ou menos consideração por ti, então convertes-te num ser que não pensa senão em satisfazer os seus gostos, os seus desejos e nada mais. Não existe em nenhuma faculdade uma disciplina do egoísmo, mas não é preciso, é a própria experiência social que nos vai fazendo assim. Ao longo da História as igrejas e as catedrais eram os lugares onde se procurava um valor espiritual determinado. Agora os valores adquirem-se nos centros comerciais. São as catedrais do nosso tempo.

José Saramago, in 'El Mundo (2000)'

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Os Ideais São Superiores às Crenças - por José Saramago

Os Ideais São Superiores às Crenças ( por José Saramago)

Sou, simplesmente, uma pessoa com algumas ideias que lhe têm servido de razoável governo em todas as circunstâncias, boas ou más, da vida. Costuma-se dizer que o melhor partido para um crente é comportar-se como se Deus estivesse sempre a olhar para ele, situação, imagino eu, que nenhum ser humano terá estofo para aguentar, ou então é porque já estará muito perto de tornar-se, ele próprio, Deus. De todo o modo, e aproveitando o símile, o que eu tenho feito é imaginar que essas tais ideias minhas, estando dentro de mim como devem, também estão fora — e me observam. E realmente não sei o que será mais duro: se prestar contas a Deus, por intermédio dos seus representantes, ou às ideias, que os não têm. Segundo consta, Deus perdoa tudo — o que é uma excelente perspectiva para os que nele acreditem. As ideias, essas, não perdoam. Ou vivemos nós com elas, ou elas viverão contra nós — se não as respeitámos.

José Saramago, in 'Cadernos de Lanzarote (1995)'

A Europa como um Novo Império Germânico - por José Saramago


A Europa como um Novo Império Germânico - por José Saramago ( membro do PCP, defensor da União Ibérica e Prémio Nobel)

"Uma vez mais. Sou um europeu céptico que aprendeu tudo do seu cepticismo com uma professora chamada Europa. Não falando da questão do «ressentimento histórico», a que sou especialmente sensível, mas que, de todo o modo, é ultrapassável, rejeito a denominada «construção europeia» por aquilo que vejo estar a ser a constituição premeditada de um novo «sacro império germânico», com objectivos hegemónicos que só nos parecem diferentes dos do passado porque tiveram a habilidade de apresentar-se disfarçados sob roupagens de uma falsa consensualidade que finge ignorar as contradições subjacentes, as que constituem, queiramo-lo ou não, a trama em que se moveram e continuam a mover-se as raízes históricas das diversas nações da Europa.